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TAP: Prejuízos em 2022 e Lucros em 2025

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Embora seja a empresa que irá receber uma das maiores injeções de capital de sempre por parte da Administração Pública, a companhia de bandeira registou prejuízos no valor de 1,6 mil milhões de euros em 2021. 

No seguimento dessa tendência, o Ministro da Infraestruturas e Habitação assegurou que a companhia irá continuar a registar prejuízos no ano de 2022 avaliados no montante de 54 milhões de euros. 

Existem várias questões que se colocam mas a principal será: como é que, através de tantas subscrições de capital por parte do Estado, a companhia nacional não obtém lucros e sobretudo, não consegue alcançar um equilíbrio orçamental.

Bem, é certo que as organizações não obtêm lucros do “dia para a noite” mas no caso da TAP, é possível assumir que existem problemas estruturais graves que estão a levar o nome da companhia e as contribuições dos portugueses para o “buraco”. Numa altura em que os despedimentos são um tema recorrente na entidade, Pedro Nuno Santos assegurou que as metas previstas no plano de reestruturação da companhia aérea “não estão a ser furadas negativamente”.

Mas qual é o interesse do país em financiar uma empresa que está e sempre esteve a registar prejuízos desde a sua criação?

Segundo os defensores políticos da TAP, a companhia é importante para o emprego e tem um impacto significativo no tecido empresarial português, uma vez que possui vários fornecedores e várias empresas dependentes da organização.

Por outro lado, na Assembleia da República é defendido que a TAP permite que o país continue interligado aos nossos compatriotas PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) onde assegura ligações através de voos diretos. Contudo, para os cidadãos dos mesmos é indiferente as ligações entre os destinos derem diretas ou não, uma vez que os voos são caros. Logo, este tipo de viagens acaba por ser apenas mais um encargo para a companhia aérea.

É certo que estes argumentos podem ser assumidos como válidos mas a companhia, desde 2000, só apresentou dois anos de lucros e anteriormente à pandemia, a TAP já se encontrava em falência técnica com capitais próprios negativos. Dessa forma, por muito peso que a companhia possa ter na economia nacional, esse peso não é recíproco tendo em conta que cada contribuinte injeta, no mínimo, cerca de 400 euros por português ou 800 euros por cada português trabalhador. 

A aposta constante na companhia consiste numa transferência de capital a fundo perdido ao contrário de muitos casos que a história assistiu sobre a falência de companhias aéreas, como é o caso da Lufthansa, em que o governo alemão previa injetar mais dinheiro na companhia do que na TAP, embora a quota de mercado da companhia germânica era e continua a ser intensamente maior e o seu peso na economia nacional, ser muito mais possante no caso da Lufthansa. 

Porém, com o plano de reestruturação da transportadora, o futuro parece promissor estando previsto que em 2023 atinja o equilíbrio operacional e em 2025 tenha efetivamente lucro.

Ainda assim, Pedro Nuno Santos salienta a importância de “não cometermos os mesmos erros do passado, de dizer para onde a TAP deve voar”. “Aí vamos impedir que a TAP seja uma empresa sustentável”, disse, considerando que a companhia “faz rotas viáveis, com autonomia de gestão”.  

Em conclusão e aproveitando a lição deixada pelos autores do livro “Milhões a voar”, Carlos Guimarães Pinto e André Pinção Lucas, “ um país com uma elevada carga fiscal que afasta o investimento estrangeiro, onde a universalidade de acesso à saúde está sempre colocado em causa pelas filas de espera para consultas no SNS ou o fecho de serviços fora das principais cidades, certamente não faltariam boas opções onde investir os cerca de 4 mil milhões de euros que serão injetados na TAP. Aquilo que está planeado injetar na companhia corresponde à metade da despesa anual em educação e mais do dobro do que é gasto no setor da justiça. Mesmo acreditando que todos os efeitos indiretos calculados pelos economistas criativos do governo, não será muito difícil antecipar que o montante injetado poderia ter um retorno bastante superior em efeitos diretos e indiretos se fosse investido na educação, saúde, segurança ou para reduzir os impostos, tornando o país mais competitivo e atraente ao investimento estrangeiro.”

“Quem sabe, reduzindo os impostos até se atrairia uma empresa de aviação que serviria melhor o mercado português e não necessitasse de tantos apoios do Estado”.

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