Subida do dólar destrói mercados

Nas últimas semanas o dólar tem valorizado imenso contra todas as outras moedas e, por sua vez, o euro e a libra têm sofrido uma desvalorização como não se via há imenso tempo. Mas de onde vieram estas valorizações do dólar e consequentes desvalorizações do euro e da libra? E que impacto poderão ter para os mercados? 

Estas valorizações e desvalorizações aconteceram devido ao aumento abrupto da inflação e consequente aumento das taxas de juro. 

Figura 1- Inflação americana
Fonte: Trading Economics
Figura 2 – Inflação em Portugal 
Fonte: Trading Economics
Figura 3 – Taxa de juro EUA (FED) 
Fonte: Trading Economics
Figura 4 – Taxa de juro Zona Euro (BCE) 
Fonte: Trading Economics

No início deste ano, e com o aumento inesperado da inflação para valores não registados há vários anos, o FED e BCE foram forçados a aumentar taxas de juro para combater essa mesma inflação. 

A partir daí, os investidores tomaram o controlo do mercado e, ao começarem a movimentar o seu dinheiro de dólar para euro, de euro para dólar, de euro para libra, etc. deram origem a estas mesmas oscilações. 

Tudo isto tem impacto a nível mundial visto que, do lado das empresas americanas com operações na europa os lucros irão reduzir drasticamente devido à enorme desvalorização do euro face ao dólar e, do lado das empresas europeias com operações nos EUA, será possível ver um aumento desses mesmos lucros devido à valorização do dólar face ao euro. 

Para além disso, poder-se-á verificar ainda uma redução acentuada na capacidade de estrangeiros investirem nos mercados americanos devido a esta valorização do dólar. Enquanto no início deste ano eram investidos 1.000€ em ações americanas e era possível comprar cerca de $1.140, agora investem-se 1.000€ e apenas se consegue comprar algo a rondar os $980 em ações, uma diferença de $160 de capacidade de investimento que desapareceu no período de 10 meses. Esta diferença de 1.000€ pode não parecer significativa, contudo, em dezenas/centenas de milhares ou até milhões de dólares, a diferença é muito grande. 

Os produtos americanos ficam também mais caros para os estrangeiros e os produtos europeus ficam mais baratos para os americanos, podendo originar uma mudança de consumo de produtos americanos para produtos europeus, tanto por parte da população europeia, como por parte da população americana.

No fim de tudo isto, prende-se uma questão:

Haverá então quem beneficie nesta situação? 

A resposta é sim, há. Os particulares que se encontram fora dos EUA mas que recebem em dólar, por exemplo, conseguem beneficiar imenso desta subida do dólar e descida do euro e da libra. Com o aumento do dólar, o rendimento destas pessoas face à realidade europeia sobe imenso, o que lhes permite aumentar o consumo, melhorar o estilo de vida, aumentar investimento em mercados europeus, etc… 

Quanto às empresas europeias que tenham operações nos EUA, estas irão ver os seus lucros aumentar consideravelmente quando os convertem para euros. Por exemplo, uma empresa que no início deste ano tivesse $1M em lucros, teria cerca de 877.000€, depois de convertida a moeda. Hoje em dia, com um lucro de $1M, irá ter 1,02M€, ou seja, uma diferença de aproximadamente 143.000€ num espaço de 10 meses, apenas pela valorização do dólar e consequente desvalorização do euro e libra. 

Quando se prevê que esta situação termine? 

Pessoalmente, creio que estas oscilações apenas irão abrandar quando virmos a economia “normalizar”, ou seja, quando a inflação começar a reduzir de tal forma que, tanto o FED, como o BCE, dão início a uma descida das suas taxas de juro. De momento, a FED aparenta ter uma taxa de juro real positiva (taxa de juro onde a inflação começa a reduzir) tendo a inflação registada nos últimos 4 meses caído de 9,1% para 8,2%. O problema está na Zona Euro, com países como a Alemanha que, segundo Torsten Schmidt, especialista em análise económica no Instituto Leibniz de Estudos Económicos em Essen (RWI), se encontra numa “clara recessão”, e onde a taxa de juro real é ainda negativa, sendo que ainda não é suficiente para fazer baixar a inflação. Ou seja, ainda vamos ver muito certamente aumentos nas taxas de juro, visto que a taxa de juro necessária para fazer descer a inflação americana foi de 3,25% e o BCE apenas se encontra nos 1,2%. 

Figura 5 – Inflação na Zona Euro 
Fonte: Trading Economics

Depois de tudo isto começar a “arrefecer” acredito que as moedas voltem a estabilizar um pouco e consigamos voltar a ver a (pouca) racionalidade do mercado.

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