fbpx

Será o Euro Digital a alternativa às criptomoedas?

⏱️ Tempo estimado de leitura: 3 minutos

“Cripto não é uma moeda, ponto final”, respondeu Christine Lagarde, Presidente do Banco Central Europeu (BCE), numa entrevista à Bloomberg. “Cripto são ativos altamente especulativos que reivindicam a sua fama como moedas, possivelmente, mas não o são.”

Este não é um entendimento exclusivo de Christine Lagarde ou do BCE. É a posição dos Bancos Centrais (BC), que vêem o seu controlo monetário ameaçado pelas novas formas de pagamento digitais, que surgem por força da inovação e são criadas por uma reforma tecnológica nos serviços financeiros privados e aliados do setor bancário.

Qual é a alternativa?

É por este motivo que diferentes países estão unidos com o objetivo de avaliar o futuro das moedas digitais. Juntos com o Bank for International Settlement (BIS), são sete os bancos centrais que estão a explorar a ideia da Moeda Digital de Banco Central (CBDC) para uso geral. Na passada quinta-feira, o BIS publicou mais um relatório com o objetivo de esclarecer aquilo que o seu grupo de trabalho vê como sendo os princípios comuns e as principais características da CBDC.

O relatório argumenta que a CBDC tem o potencial de ser um meio de pagamento que “reforce a estabilidade financeira, aproveite novas tecnologias e continue a servir o público”.

Portanto, uma moeda simples, universalmente aceite, segura, fiável, que defenda a privacidade e, particularmente, que se aproveite das vantagens tecnológicas que outras moedas já exploram. 

Para que isto aconteça tem de haver amplo envolvimento e cooperação dos diferentes Bancos Centrais. No entanto, como reforça o BIS, “a emissão ou não de uma CBDC, e as suas características, são decisões soberanas das autoridades relevantes baseadas nas suas avaliações e no contexto da sua jurisdição”, que podem vir a “considerar medidas que influenciem ou controlem a adoção ou uso da CBDC”. 

O Euro Digital

O BCE tem-se debruçado a respeito dessas mesmas decisões por enquadrá-las num eventual Euro Digital. Depois de uma “análise profunda feita com o ponto de vista dos cidadãos e profissionais e de algumas experiências realizadas com resultados encorajadores”, adiantou Chirstine Lagarde num comunicado público, “o Conselho do BCE decidiu iniciar em julho deste ano a fase de investigação de um projeto de Euro Digital”. 

Este mês começa a fase de estudos para delinear as possíveis características de uma CBDC. Esta fase durará cerca de dois anos. Quando as conclusões do BCE forem ratificadas pelo Conselho de Administração seguem-se apenas três anos para implementar a nova moeda e ,então, emiti-la. 

Tudo em paralelo com os órgãos legislativos da união. Será de esperar que estes estejam em concordância com a Estratégia da UE para a União da Segurança, apresentada pela Comissão Europeia, com o objetivo de “definir os instrumentos e as medidas a desenvolver nos próximos cinco anos [2020-2025] para garantir a nossa segurança”.

No passado dia 2 o BCE publicou mais um relatório preliminar relativo ao Euro Digital. Dois dias antes, na CIRSF Conference 2021, Mário Centeno, membro do conselho do BCE e governador do BdP, esclarece que “ao emitir um Euro Digital, o Eurosistema poderia fornecer um meio de pagamento digital sem risco, sem custos e de confiança”. Acrescenta que “o Euro Digital poderia conduzir ao reforço da soberania europeia num domínio estratégico como os pagamentos, onde o bom funcionamento é crucial para a condução da política monetária e para a manutenção da estabilidade financeira”.

Autor: João Costa Maia

DEIXA UM COMENTÁRIO

Por favor, envie o comentário!
Por favor, escreva o seu nome aqui

Subscreve a nossa Newsletter

Com o resumo das nossas notícias

Últimas notícias

Artigos Relacionados

spot_imgspot_img