QatarEnergy: A empresa do Mundial 2022

As decisões da FIFA em relação ao Campeonato do Mundo não foram realizadas ao acaso. Condições económicas e geopoliticas foram retidas como aspetos fulcrais para a rápida expansão do Qatar e, juntamente com a FIFA, existem empresas como a QatarEnergy que aproveitaram para marcar a sua posição.

A sociedade sofreu e sofre de forma conjunta quando sabe que atualmente existe uma guerra a decorrer na Europa. Vidas de seres humanos são e foram afetadas e empresas com bens valiosos a oferecer, têm vindo a crescer as suas receitas exponencialmente. É o caso específico da QatarEnergy, a empresa que detém grande parte dos investimentos concretizados para a realização da FIFA World Cup.

A QatarEnergy, fundada e chefiada por Saad al-Kaabi, Ministro da vitalidade do Qatar e CEO de seu grupo nacional de petróleo e combustível, foi uma das empresas que muito ganhou e continua a ganhar perante a iniciação do conflito bélico entre a Rússia e a Ucrânia. Após o anúncio do corte de gás natural liquefeito (GNL), o Qatar foi um dos primeiros países a que os anteriormente dependentes russos recorreram para o abastecimento de produtos e bens energéticos. 

Com base nos media statements publicados pela empresa governamental, as receitas de petróleo e combustível do Qatar aumentaram dois terços na primeira metade do ano para US$ 32 mil milhões, um ganho inesperado que sublinha as riquezas do pequeno estado do Golfo, porque atualmente está a sediar o Campeonato do Mundo de Futebol e irá registar ainda mais receitas.

Desde que a nação constituída por 3 milhões de indivíduos foi premiada com o evento em 2010, Saad al-Kaabi injetou pelo menos US$ 200 mil milhões em novas infraestruturas, juntamente com os US$ 6,5 mil milhões em estádios e serviços, em grande parte pagos com as receitas das exportações de GNL da QatarEnergy, realizadas nos últimos meses para países ocidentais e anteriormente dependentes da potência russa para a manutenção das suas reservas de gás.

Mas se o objetivo de Saad al-Kaabi anteriormente passava pelo crescimento da empresa, agora, maximizar a fabricação de combustível doméstico para exportação, é a principal prioridade para o CEO.

Segundo as declarações prestadas pelo Ministro da Energia do Qatar, Al-Kaabi refere que “provavelmente somos um dos maiores detentores de blocos hoje em exploração e o mundo verá o que mais vamos fazer.” afirmou Kaabi. “Vamos dinamizar a presença que sempre tivemos em vários setores de negócio mas com um impacto mais significativo”. 

A QatarEnergy conseguiu alavancar a sua posição através da FWC e detém atualmente um portfólio de exploração de GNL no Brasil, Canadá, Golfo do México, Namíbia, Egipto, Angola e África do Sul.

A empresa apresenta objetivos claros quanto à expansão da sua capacidade de manufatura internacional através da produção de 45 000 barris de petróleo por dia para 500 000 barris por dia em 2030. 

Desta feita, é fácil de questionar o crescimento elevadíssimo registado por esta empresa estatal embora, empresas como a Saudi Aramco e a Abu Dhabi National Oil Company, nunca se tenham focado em alternativas de maximização de produção internas no Qatar e, dessa forma, surge o crescimento sem concorrentes por parte da QatarEnergy.

O que surge por parte dos diversos analistas é que a organização governamentall, está cada vez menos preocupada com os seus deveres estritamente estatais e tem objetivos cada vez mais vincados quanto à sua expansão internacional, tal como se verificou na cidade de Doha em 2017. 

Enquanto os países ocidentais estavam preocupados em encontrar alternativas de carácter elétrico para desenvolver novos veículos, deu-se a emergência da cidade de Doha, que impôs os EAU e elevou a sua posição no mundo através das suas artes arquitetónicas e as suas construções urbanas impressionantes. 

Pois bem, o crescimento de Doha veio também demonstrar que o Qatar está presente e que, indiretamente, o petróleo é necessário e provém dos Emirados Árabes Unidos, sendo estes possíveis parceiros para os países ocidentais.

Como prova disso, empresas energéticas como a Shell e a Total, convidaram a QatarEnergy a alocar os seus serviços em diferentes partes do mundo, servindo para aumentar as receitas das duas empresas, bem como para aumentar a reputação internacional da empresa estatal dos EAU.

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