Preço do gás natural cai na Europa para mínimos de 2 meses

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O preço de referência do gás natural para a Europa caiu 7%, para um valor similar àquele que tinha durante o final do mês de julho. O contrato Dutch TTF Gas ($TFM1!), que serve de referência para todo o noroeste do Continente Europeu, está agora a comercializar a um valor de 174,295 euros por MWh.

Gráfico 1: Cotação Natural Gas EU Dutch TFF entre setembro de 2021 e setembro de 2022
Fonte: TradingEconomics, execução própria

O preço do gás natural na Europa sofreu um aumento bastante elevado aquando do início da invasão da Ucrânia, tendo depois voltado aos valores pré-guerra no período da Primavera, no entanto, com a proximidade do verão e os racionamentos ao envios de gás para a Europa por parte do Kremlin, este bem viu o seu preço voltar a disparar durante o verão, atingindo um preço superior aos 300 euros por MWh no início de agosto, altura em que vários países da Europa tentavam encher as suas reservas de gás, em preparação para o inverno. Com o anúncio de cada vez mais países a conseguirem atingir reservas confortáveis para a época fria, a procura por este bem tem reduzido, o que faz com que o seu preço esteja também a diminuir.   

Com o aumento das reservas de gás natural em vários países europeus, com médias de 86% das suas reservas cheias, a procura por este recurso tem registado uma diminuição. Acresce ainda que vários países europeus estão agora a colocar em prática planos de alívio da fatura do gás para as famílias e empresas, com medidas onde se incluem a nacionalização de empresas do setor energético (como é o caso da subsidiária alemã da Rosneft e ainda da Uniper e a VNG, duas das maiores importadoras de gás na Alemanha); ainda está proposto descidas no IVA da eletricidade e do gás em vários países para diminuir o esforço fiscal feito pelos contribuintes. 

A Comissão Europeia também se prepara para apresentar medidas com o propósito de reduzir o impacto desta crise energética nos cidadão europeus, como a introdução de um imposto sobre os lucros extraordinários obtidos pelas empresas do setor energético com o aumento dos preços que se tem verificado com a guerra na Ucrânia e ainda restrições ao consumo nas horas de pico. 

Vários países já tinham tomado medidas nesse sentido, como é o caso da Alemanha que reabriu as suas centrais a carvão e diminuiu a intensidade e frequência da sua luz pública, ou o caso de Espanha que obrigou as lojas a manterem as suas portas fechadas (exceto para a entrada de clientes) durante o seu horário de funcionamento e impõe limites à temperatura do ar condicionado, para assim controlar a utilização de energia.

É esperado por isso com apreensão a chegada do inverno ao “Velho Continente”, no entanto, são vários os relatos de que os países europeus estão já preparados para superarem a época mais frio com tranquilidade, como é o caso de Robert Habeck, ministro da Economia Alemão que afirma que o país tem as suas reservas de gás a cerca de 90%, sendo por isso esperado que o inverno seja ultrapassado com tranquilidade. No entanto, avisa também que os alemães têm de manter os esforços pois é esperado que no final do inverno as suas reservas voltem a estar próximo de 0, sendo por isso necessário voltar a encher-las no próximo inverno.

Autor: Mário Costa

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