O fim de uma era de crescimento económico na China

Quando pensamos na China, pensamos sempre na sua enorme capacidade produtiva, nas suas grandes fábricas e na sua competência em criar valor.

Pois bem, parece que esse período está a chegar ao fim, dadas as inúmeras restrições impostas para conter os casos de COVID-19, que continuam a condicionar o país.

Numa conferência de imprensa realizada no sábado, na véspera do 20º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), atual partido com poder maioritário atribuido pelo pelo líder chinês, o porta-voz da organização frisou que o ritmo de crescimento económico do país deixou de ser a “única coisa que importa”.

Segundo Sun Yeli, o Porta-voz do Partido, “a velocidade do crescimento é de fato um importante parâmetro de desempenho económico, mas não é o único. Vamos concentrar-nos antes em resolver os problemas de longo prazo na economia”.

Perante estas afirmações, a China apresenta vários problemas estruturais que têm vindo a criar adversidades para uma performance económica positiva. A estrutura etária envelhecida, as restrições frequentemente acionadas destinadas a conter os contágios e o descontentamento público são alguns dos problemas que o país enfrenta e que estão a despromover o crescimento económico nos próximos tempos.

Uma pesquisa conjunta do GeoEconomics Center, do Atlantic Council, um ‘think tank’ com sede em Washington, e da consultora Rhodium Group prevê que a China vai ter dificuldades em manter um crescimento anual acima dos 3% até 2025. Este estudo torna-se tenebroso para a Europa, uma vez que várias organizações detêm as suas produções no país face aos reduzidos custos de produção praticados, derivados da produção em larga escala que é realizada em fábricas chinesas.

Helge Berger, chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a China, aponta também num relatório para o “entusiasmo cada vez menor por reformas económicas baseadas no mercado”. A análise do FMI estima que o crescimento médio da produtividade foi de apenas 0,6% durante a década passada, sob a governação de Xi,  um declínio acentuado da média de 3,5% alcançada nos cinco anos anteriores. A instituição estima que o nível de produtividade das empresas estatais chinesas é 20% menor do que no setor privado.

Desta feita, um abrandamento económico nos EUA e Europa já está a ser previsto à algum tempo e, sendo assim, uma desaceleração da economia chinesa pode vir a dificultar de forma mais intensa o crescimento das economias mundiais, dada a dependência existente dos dois continentes perante um país, que enfrenta problemas estruturais sérios.

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