Moratórias e o seu possível impacto

As moratórias foram um tópico muito discutido ao longo do ano de 2020. Afinal, o que são e qual é o possível impacto das moratórias em anos tão atípicos?

É lógico que num ano em que a maioria das pessoas estiveram confinadas e as lojas, restaurantes e outros serviços permaneceram, durante um longo período, completamente fechados, que as necessidades e o poder de compra dos cidadãos diminuíram. As medidas tomadas pelo governo para combater o surto pandémico conduziram também ao aumento do desemprego. 

Uma moratória de capital e juro significa que, num empréstimo, as prestações deixarão de ser pagas durante um período de tempo a estabelecer. Na prática, os empréstimos são temporariamente suspensos. No entanto, em termos teóricos, essa suspensão tem um custo, o  juro que acresce à prestação inicialmente paga pelo indivíduo.

Entre as medidas de apoio às famílias implementadas pelo governo consta o crédito à habitação. Esta medida foi adotada pelo facto de o desemprego estar a subir e, como tal, muitas pessoas não conseguiam pagar a sua prestação. Mais de 700 mil famílias no nosso país, com receio de perderem a sua habitação, pediram ao banco essa benesse. Além das famílias, também as empresas pediram moratórias, já que precisavam de dar resposta às suas necessidades, bem como de alargar o prazo dos seus pagamentos. No total, foram apresentados mais de 700 mil processos, perfazendo um montante de 2.990 milhões de euros.

“É importante que os bancos portugueses possam, proactivamente, adotar estratégias ativas de recuperação de crédito e desalavancagem, minimizando a percentagem de NPLs no seu balanço”, referiu Joaquim Paulo, partner da Deloitte.

O impacto mais notório das moratórias será o aumento exponencial da oferta de imóveis no final do ano, por todo o país. Como as moratórias irão acabar em setembro de 2021, crê-se que o desemprego irá aumentar. Consequentemente, as pessoas serão forçadas a venderem os seus imóveis para reduzirem as suas despesas ou para liquidarem as suas dívidas.

Autor: Guilherme Padez dos Santos

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