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Mercado europeu de CO2 atinge máximos históricos

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O preço dos certificados de CO2 – emissões de dióxido de carbono ou gases com efeito de estufa equivalentes – denominados EUA (European Union Allowance) estão, este mês, a atingir preços historicamente elevados. O preço chegou aos 64.7€/ton, um valor que representa uma subida de mais de 96% desde o início do ano:

O mercado Europeu de certificados de CO2 (EU ETS) é a principal estratégia da União Europeia para combater as alterações climáticas, através de um sistema de mercado que permite aos intervenientes comprar e vender certificados de emissão de gases com efeito de estufa. Cada certificado equivale a uma tonelada de gás emitido e, neste momento, todo o setor energético está abrangido, assim como uma parte importante da indústria e da aviação.

Os intervenientes neste mercado têm, todos os anos, de entregar ao organismo regulador certificados suficientes para cobrir as suas emissões, sob pena de terem de pagar multas pesadas impostas pela União Europeia.  

Então como é formado o preço neste mercado e porque é que ele está tão alto?

Do lado da oferta, a Comissão Europeia define legalmente um teto máximo anual de certificados a leiloar, que equivale a um limite máximo de emissões de CO2 que a UE pretende atingir num determinado ano. A estratégia da União é, assim, limitar a oferta e decresce-la ao longo dos anos, de maneira a diminuir as emissões do gás poluente e, portanto, cumprir com os objetivos verdes do bloco europeu.

Com este controlo regulatório, a Comissão Europeia consegue influenciar diretamente o lado da oferta e criar uma escassez que faz o preço do CO2 subir.

Este poder dá a oportunidade ao organismo europeu de, pela via do preço, influenciar economicamente as empresas poluentes a arranjar uma alternativa mais sustentável para evitarem que os seus custos de produção subam incrivelmente ao sabor dos preços do carbono.

Mais recentemente, em julho deste ano, a Comissão Europeia, como parte do European Green Deal, apresentou um pacote de medidas que diminui a oferta anual de certificados a um ritmo mais elevado para, desta forma, conseguir atingir a meta de reduzir até 2030 as emissões poluentes para menos de metade do valor registado em 1990.

Com esta redução esperada da oferta para os anos seguintes, as empresas poluidoras estão já a incorporar essa informação nas suas decisões de compra de certificados, querendo precaver-se contra uma eventual futura escassez destes e, consequentemente, uma escalada de preços ainda mais acentuada.

Do lado da procura, as empresas procuram certificados para cobrir as suas emissões poluentes. Quanto mais combustíveis fósseis usarem para a produção de energia maior será a procura por certificados, porque maior será a libertação de CO2 para a atmosfera.

Como o carvão é altamente poluente, liberta uma quantidade de dióxido de carbono mais alta do que o gás para produzir a mesma quantidade de energia. Acontece que os preços do gás estão tão altos que, de acordo com a Bloomberg, o carvão volta a estar in the money, ou seja, volta a ser competitivo produzir energia usando carvão. Consequentemente, as energéticas vão precisar de comprar mais certificados para cobrir estas emissões de carvão e, por sua vez, isso leva ao aumento da procura por estes.

Estes fatores do lado da oferta e da procura ajudam a perceber o racional por detrás deste que é dos maiores mercados de carbono do mundo, e que é já responsável por uma diminuição de 35% das emissões das instalações abrangidas pelo mercado, entre 2019 e 2005. 

Autor: Francisco Castro Silva

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