Malas Birkin como investimento?

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As malas Birkin da empresa francesa Hermès ($RMS.PA) são um símbolo de status. Não só por serem um artigo de luxo extremamente difícil de adquirir, como bastante dispendioso (indo o preço das dezenas de milhares de dólares às centenas de milhares). 

Apesar de serem apenas um artigo de moda, devido às últimas características referenciadas, existem pessoas que as adquirem com o intuito de as usar como investimento.

A história das malas Birkin, e o porquê de serem tão caras

As malas Birkin foram criadas em 1981 em nome da atriz Jane Birkin. Num avião, a atriz ficou sentada ao lado do então CEO da Hermès Jean-Louis Dumas. Depois de ter deixado cair a sua agenda cheia de papéis, o Sr. Dumas disse-lhe que ela deveria ter uma mala com bolsos, ao que ela respondeu “Mas a Hermès não as faz com bolsos”.

Isto levou a uma conversa onde Jean-Louis Dumas se comprometeu a fazer uma mala maior do que a famosa mala Kelly e com bolsos de modo a ser mais prática, sendo que depois, o acessório foi depois apelidado com o nome da atriz. Na altura o preço começava nos 4 mil dólares, sendo que hoje o preço mínimo situa-se nos 10 mil dólares.

A mala não foi um sucesso imediato no mercado, na verdade só na década de 90 é que as malas se tornaram um ícone. No entanto, através do Marketing e da produção restrita, a Hermès conseguiu tornar a mala num símbolo de privilégio e de riqueza.

De modo a obter uma mala nova, era necessário estar numa lista de espera exclusiva. Hoje, é ainda mais difícil. Não é possível simplesmente ir a uma loja Hermès e pedir uma mala Birkin. Além disso, a Hermès também impõe restrições na quantidade de malas Birkin que um cliente pode adquirir por ano. Por exemplo, uma advogada nos EUA teve de gastar cerca de 10.000$ numa loja Hermès ao longo de cerca de 1 ano antes de ser contactada pela empresa para saber se estaria interessada numa mala Birkin que tinha sido escolhida para ela. Uma experiência semelhante aconteceu com outra pessoa que teve de esperar 2 anos para receber a chamada. Esta exclusividade (muito importante em marcas de luxo) é uma das razões que leva a que as malas sejam tão desejadas. Isto também faz com que muitos se tornem não apenas donos de uma mala mas também coletores destas, que, por isso, têm acesso a malas cada vez mais extravagantes e exclusivas (e, obviamente, mais caras).

A produção também é estritamente controlada. São necessárias no mínimo 48 horas de trabalho manual (feito por artesãos especializados em malas Birkin na França) para produzir uma mala destas, e os materiais são de luxo (pele de crocodilo, cabedal cuidadosamente selecionado pela empresa, etc). E o número de malas Birkin que a Hermès produz por ano é um grande segredo da empresa.

Um bom investimento?

Sendo o acesso a estas malas tão restrito, as malas Birkin são muitas vezes vendidas no mercado secundário. Quer sejam os detentores da mala a venderem diretamente a alguém, ou através de plataformas como o The RealReal, Farfetch, Privé Porter, entre outras. 

Assim, as malas são vendidas com uma mark-up. Na plataforma Privé Porter, segundo o co-fundador Jeffrey Berk, esta vai de 50% a 100% do preço a que as malas foram inicialmente vendidas. No caso de vendedores coletores, as malas são muitas vezes vendidas, segundo a mesma fonte, até 10 vezes o preço de compra.

Deste modo, muitos veem as malas como um investimento, pois como uma detentora/colecionadora Kay Cola o colocou “se algo acontecer ao meu negócio no futuro, tenho muita riqueza nas malas para recorrer”.

Na verdade, entre 1980 e 2015, o S&P 500 teve um retorno médio anual de 11,66%. No mesmo período, o ouro teve um retorno médio anual de 1,9%. No entanto, as malas Birkin para o mesmo período (tendo em conta que foram criadas em 1981) foi de 14,2%. Isto vem acrescido da vantagem de que os preços não flutuam muito ao longo do tempo. Por isso, muitos consideram investir numa mala Birkin melhor do que investir em ouro ou no mercado financeiro.

Durante a pandemia esta tendência de elevados retornos tem-se vindo a exacerbar. Segundo o co-fundador da Privé Porter, os meses de março e abril foram os de maior venda. Para já, em 2021 o valor de revenda das malas da Hermès é maior em 28% do que no ano passado, e as Birkins estão a liderar o caminho com o seu preço médio de revenda a crescer mais de 4,000$ por ano.

É de notar, no entanto, que o valor das malas pode mudar consoante a moda, de modo que é importante investir em malas clássicas que dificilmente “saem de moda”. 

Existem, para isto, gestores de portfólio de malas Birkin que se dedicam a determinar que malas comprar e vender, e através da sua rede de contactos, as vende e/ou compra. 

Também tendo em conta a maior facilidade de comprar malas Birkin em segunda mão no mercado secundário, as malas que oferecem um maior retorno são as mais raras. 

Em suma…

Para quem pode, malas Birkin não são só um acessório luxuoso para ter no armário. São também um investimento a ter em conta.

Autora: Ana Margarida Costa

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