fbpx

Investir em Lego? Possível – e rentável

⏱️ Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Segundo um estudo da Higher School of Economics (HSE), em Moscovo, na Rússia, é mais seguro e lucrativo investir em Lego em segunda mão do que noutros ativos. De acordo com o estudo publicado na segunda semana de dezembro na revista “Research in International Business and Finance”, o valor de mercado dos Legos aumenta cerca de 11% por ano, em especial se falarmos de peças de edições limitadas. Esta rendibilidade ultrapassa francamente as taxas de retorno do ouro, de peças de arte, de selos ou vinho e até de ações e títulos da bolsa, por exemplo.

De acordo com um estudo do Barclays os mais ricos investem cerca de 10% da sua riqueza em jóias, peças de arte, antiguidades, vinhos colecionáveis e carros, para além do óbvio investimento em títulos financeiros. A procura por estes produtos é especialmente alta – assim como o crescimento dos seus preços – nos países em desenvolvimento, como é o caso da China, da Rússia e dos países do Médio Oriente. Este tipo de investimento é bem estudado, ao contrário de produtos mais incomuns, como é o caso do Lego.

Ainda assim, os investigadores responsáveis pelo estudo afirmam que este tipo de artigos pode trazer resultados lucrativos. De facto, “estamos habituados a pensar que as pessoas compram objetos como jóias, antiguidades ou obras de arte como um investimento” e não “bens mais incomuns, cuja compra pode parecer menos séria”, segundo Victoria Dobrynskaya, uma das investigadoras e professora da Faculdade de Ciências Económicas da HSE.

De facto, ao que parece, estes artigos são bastante lucrativos, existindo até outras opções de brinquedos colecionáveis com boas taxas de retorno além do Lego, como por exemplo, as famosas bonecas Barbie, miniaturas de super-heróis ou modelos de carros e comboios. Embora este tipo de produtos tenha preços bastante acessíveis, o mercado de Lego em segunda mão é bastante grande e muito pouco conhecido pelos investidores, podendo até, de certa forma, sofrer algum tipo de preconceito.

Este estudo analisou os preços de 2.322 conjuntos de Lego feitos entre 1987 e 2015 e concluiu que fatores como a produção limitada, edições especiais para colecionadores e a escassez no mercado destes produtos em segunda mão aumentaram significativamente os preços ao longo dos anos. É de realçar que apenas foram consideradas para o estudo as vendas de novos conjuntos não abertos (selados).

Há conjuntos para todos os tipos de carteira, a maior parte ao alcance de qualquer pessoa, sendo que os mais caros, como a réplica do Taj Mahal ou a nave “Imperial Star Destroyer” de Star Wars, terão uma maior procura e, consequentemente, um maior retorno. De forma geral, os modelos lançados há 20 ou 30 anos “deixam os fãs nostálgicos”, o que faz com que os preços subam ainda mais. “Mas, apesar da alta lucratividade dos aparelhos Lego no mercado secundário em geral, nem todos os aparelhos são igualmente bem-sucedidos. É preciso ser um verdadeiro fã de Lego para entender as nuances do mercado e ver o potencial de investimento num determinado conjunto”, conclui Victoria Dobrynskaya.

Segundo uma reportagem da Blomberg, os conjuntos mais antigos da Lego são, por norma, revendidos online a preços muito superiores aos originais. A título de exemplo, em 2015, foi vendido um kit “Star Wars Darth Revan” por cerca de 28 euros, este tinha sido comprado um ano antes por apenas 4 euros, o que representa uma taxa de retorno de 613%. Os resultados demonstram que os conjuntos mais pequenos (com poucas peças) apresentaram uma taxa de retorno de 22% ao ano, enquanto que os maiores (com mais peças) apresentaram taxas de apenas 6%. Isto quer dizer que conjuntos mais pequenos rendem mais porque, geralmente, são mais raros do que conjuntos maiores, geralmente produzidos em larga escala, segundo Dobrynskaya.

No top dos temas de peças que mais valorizaram, destacam-se os conjuntos do Batman e do Indiana Jones, sendo que o único tema que desvalorizou foi o dos Simpsons, caindo cerca de 3,5%.

Desta forma, a valorização de mais de 2000% (em algumas peças mais específicas) faz com que as peças da gigante dos brinquedos sejam um dos melhores investimentos do mundo. No ano de 2015, a valorização destes artigos ficou significativamente acima do retorno médio registado pelo ouro, por exemplo. Nesse mesmo ano, foi feita a venda de uma edição de colecionador da Millenium Falcon de Star Wars por 3.680 euros, tendo sido lançada em 2007, com o preço de 460 euros.

Foi, entretanto, criada uma página que se dedica exclusivamente à consulta de valores de vários conjuntos Lego, havendo inclusive uma bolsa própria, o Brick Picker, que calcula o valor dos vários artigos e da sua possível valorização.

A Lego, a maior fabricante de brinquedos do mundo, no passado mês de novembro, concedeu aos seus 20 mil funcionários três dias extra de férias e um bónus especial após relatar um ano abundante de receitas e lucros, devido ao facto de as vendas terem disparado durante os lockdowns da pandemia da Covid-19.

Autor: Leonor Mendes Correia

DEIXA UM COMENTÁRIO

Por favor, envie o comentário!
Por favor, escreva o seu nome aqui

Últimas notícias

Subscreve a nossa Newsletter

Com o resumo das nossas notícias
bitcoinBitcoin
$ 29,630.00
$ 29,630.00
0.85%
ethereumEthereum
$ 1,967.52
$ 1,967.52
1.41%
xrpXRP
$ 0.413572
$ 0.413572
0.85%
cardanoCardano
$ 0.525476
$ 0.525476
1.9%

Artigos Relacionados

spot_imgspot_img