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Investidores vendem valor recorde de ETFs de valor europeus

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O recente reaparecimento da procura por ETFs de valor chegou ao fim, com um decréscimo recorde no valor investido nestes instrumentos financeiros na Europa, com os Estados Unidos a observarem também um decréscimo significativo.

ETFs, Exchange Traded Funds, são um tipo de instrumento financeiro que combina a flexibilidade das ações com a diversificação dos fundos de investimento. Isto significa que, geralmente, são simples de comprar e vender a um preço acessível, no entanto contém o grau de diversificação de um fundo e exposição a diversas áreas de risco diferentes. 

Assim, existem ETFs que se focam em certos tipos de empresa, como é o caso das dimensões de valor e crescimento. Tipicamente, o critério que difere as duas é o rácio price-to-book, sendo que, neste espectro, as ações de valor são aquelas com um baixo rácio, onde o valor de mercado é mais próximo do valor contabilístico. 

Já as ações de crescimento são aquelas com um rácio bem alto, o que demonstra um alto potencial ainda por realizar, daí estas serem consideradas um pouco mais arriscadas em termos gerais (no entanto, uma ação de valor pode ter maior risco que uma ação de crescimento visto que difere de caso para caso).

Historicamente, as ações de valor têm superado o mercado, apresentando uma melhor performance do que as ações de crescimento. Todavia, este cenário mudou desde a crise financeira de 2008/09.

Durante o trimestre que terminou em setembro, investidores europeus retiraram um valor líquido de 3,7 mil milhões de dólares dos ETFs de valor, batendo o recorde de 1,3 mil milhões de dólares que se verificou no primeiro trimestre de 2020, que coincidiu com o início da pandemia. 

Isto veio contrastar com os 9 meses anteriores, em que o montante investido em ETFs de valor cresceu em 12,3 mil milhões de dólares. No caso dos ETFs de crescimento, este último trimestre foi o mais positivo desde 2015.

Nos Estados Unidos, o comportamento dos ETFs é semelhante, com Peter Sleep, gestor de portfólio sénior na 7 Investment Management, a afirmar que isto não passa das pessoas a perseguirem performance, com início no anúncio das vacinas. Refere a variante Delta, bem como a recente inflação, como causas que levaram a que os ETFs de valor não se comportassem conforme previsto. 

Descreve a situação como um aumento inicial na poupança disponível das famílias, e agora, com os preços dos bens a acompanharem este aumento de dinheiro na economia, cada vez mais os investidores vendem as suas posições.

Kristina Hooper, diretora global da estratégia de mercado da Invesco ($IVZ), também não se mostrou surpreendida, referindo, como causa, a desaceleração da economia neste terceiro trimestre, visto que, nestas condições, as ações de crescimento, e consequentemente ETFs de crescimento, têm tradicionalmente uma melhor performance. Isto deve-se às empresas consideradas de valor estarem em indústrias mais sensíveis aos ciclos económicos. 

Num futuro próximo, espera-se que os ETFs de valor ainda tenham algum interesse, apesar de reconhecer que, em 2022, é expectável que os ETFs de crescimento tenham maior sucesso.

Autor: Miguel Nogueira Rodrigues

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