Independência Financeira: é para si?

Fonte da imagem: Santander.pt

Gostava de poder deixar de trabalhar e assim dedicar-se aquilo que realmente quer fazer da sua vida, seja lá isso o que for? Então este artigo vai ser do seu interesse.

Nos últimos anos, muito se tem falado do famoso FIRE e, por isso, começamos exatamente por explicar o que é.

O que é FIRE?

Esta é uma sigla para abreviar Financial Independence, Retire Early. Na versão portuguesa, seria qualquer coisa como IFRA – Independência Financeira, Reforma Antecipada. Vamos ser honestos: IFRA é bastante menos apelativo que FIRE, por isso vamos continuar a usar a versão inglesa do tema.

Atingir o FIRE, significa atingir a independência financeira, ou seja, está num ponto em que, se quiser, pode deixar de trabalhar e os ativos que tem (que até podem nem ser dinheiro, mas já lá vamos) são suficientes para suportar o estilo de vida que pretende ter. Parece algo de incrível, certo? Apesar de tradicionalmente apenas se falar de uma forma de lá chegar, eu acho que existem, na verdade, duas:

Aquilo que gosto de chamar acumulação. Esta é a versão tradicional. Significa que conseguiu amealhar uma quantidade de dinheiro que é suficiente para viver o resto da vida, retirando mensalmente ou anualmente a quantidade que precisa para suportar os seus gastos. Atenção que há uma variável importante: assume-se que o seu dinheiro está investido em algo o que significa que não tem que ter exatamente o valor total das despesas do resto da sua vida. Já vamos detalhar mais isto.

O segundo método é o que chamo de cash-flow. Neste modelo, o que interessa não é a quantidade de dinheiro ou ativos que tem mas sim, o rendimento gerado por eles. Exemplo simples: se quer ter 1.000€ por mês e tem 2 casas arrendadas que rendem (já depois de custos e impostos) 1.000€ por mês, aí está a sua independência financeira. A isto chama-se rendimento passivo.

Os tipos de FIRE

Agora que já sabe, de uma forma, genérica o que é isto do FIRE, vamos entrar no detalhe e vou explicar aquelas que são, na minha opinião, as 3 versões principais do FIRE, apesar de existirem inúmeras outras opções.

Full ou Fat FIRE

Esta é a versão “tudo à grande”, ou seja, é aquela em que o seu ativo acumulado ou o cash-flow que tem dos seus investimentos é suficiente para cobrir todo o estilo de vida que quer. Claro que se quiser uma vida mais modesta, vai precisar de um valor e se quiser uma vida de luxo, o seu valor objetivo é completamente diferente. Então e que valor é este que precisa? Vamos voltar aos 2 métodos:

No método de acumulação, o habitual é falar-se em 25 vezes as suas despesas anuais. Isto significa que se o estilo de vida que quer ter custar 10.000€/ano, vai precisar de acumular 250.000€ e se quiser ter 50.000€/ano, vai ter de apontar para 1.250.000€. E porquê 25 vezes? Porque se assume que terá o seu dinheiro investido a uma taxa de, pelo menos, 4%/ano, e 4 x 25 = 100. Vamos olhar ao exemplo mais modesto dos 250.000€ acumulados. Se tiver os 4% de retorno, tem os seus 10.000€ anuais, e os 250.000€ continuam intocados. Nos anos em que os seus investimentos excederem esta rentabilidade o valor aumenta e nos anos mais fracos de rentabilidade, o valor reduz. A expectativa é que, na média, a rentabilidade ande nestes 4% para que o valor total fique na mesma. No entanto, mesmo que não fique, tem 25 anos de despesas acumuladas em capital, por isso a sua margem de segurança é bastante confortável.

No método de cash-flow, deve ter investimentos cujo rendimento cubram os seus gastos anuais. Aqui deve ter atenção que estamos a falar apenas de produtos que gerem rendimento (juros, dividendos, rendas de imóveis, etc) e é esse o valor que usa para fazer face às suas despesas. Visto que este método de cash-flow é uma “invenção” minha, aqui não existe um valor objetivo definido claramente. No entanto, recomendo que guarde uma margem de segurança muito confortável para fazer face a imprevistos.

Lean FIRE

O conceito é exatamente o mesmo mas o que difere é o valor de objetivo, já que aqui se considera que vai apontar apenas para as suas necessidades básicas (renda, alimentação, contas, etc.)

Esta versão do FIRE aplica-se a quem se vê a viver uma vida modesta e apenas com o essencial, mas passando a ter o tempo livre para fazer o que quiser. A forma de cálculo é exatamente a mesma que mostrei há pouco (tanto para acumulação como cash-flow) e a única diferença é o valor. Se daqueles 10.000€/ano que queria, apenas 7.000€ são essenciais, então o modo Lean FIRE diz que deve acumular não os 250.000€ mas 175.000€, ou então ter rendimento passivo que gere, pelo menos, os 7.000€/anuais.

Barista FIRE

Em terceiro e último lugar, aquele que, talvez, esteja ao alcance e nos planos de mais pessoas, e que se chama habitualmente de Barista FIRE.

Este modelo é algo híbrido já que pode não significar que seja 100% financeiramente independente. Nesta versão, pressupõe-se que mantém algum trabalho que goste e que pode funcionar, essencialmente de duas formas:

  • Mantém este trabalho constantemente para suportar as suas despesas extra regulares. Imagine isto como um adicional ao Lean FIRE;
  • Arranja estes trabalhos pontualmente para fazer face a algo que queira. Neste caso, por exemplo, está em Lean FIRE mas quer fazer uma viagem que custa 2.000€, e então arranja um trabalho em part-time que pague 500€/mês, está lá 4 meses, poupa esse dinheiro todo e despede-se. Volta a repetir sempre que for necessário.

Porque é que digo que este modelo é, provavelmente, aquele que faz mais sentido e que até será o objetivo de muitas pessoas? Em primeiro lugar, liberta-o da obrigação de trabalhar num sítio que não goste, em tarefas que não goste porque o dinheiro que tem acumulado é uma almofada de segurança confortável para que não falte o essencial. Em segundo lugar, e talvez mais importante, dá-lhe tempo para se dedicar a trabalhos que realmente goste sem a pressão do ordenado ser suficiente para pagar as suas contas. Até pode, por exemplo, transformar a sua paixão num negócio próprio e trazer daí um rendimento adicional ao mesmo tempo que se sente realizado(a) com aquilo que está a fazer. Faz sentido?

A conclusão

A questão da independência financeira pode parecer, à primeira vista, algo de inatingível e se pensa que é isso então lanço um desafio: faça contas. Simule a vida que quer ter e perceba como pode lá chegar. Olhe para o seu orçamento pessoal, ajuste as suas despesas, trate de aumentar os seus rendimentos e comece a dar os primeiros passos nesse caminho.

O caminho não vai ser curto nem vai ser fácil. Isto vai exigir muita paciência e persistência mas quando lá chegar, ao fim de uns 15 ou 20 anos talvez, vai olhar para trás e perceber que valeu a pena. Nunca se esqueça que o início é sempre mais lento e que à medida que o tempo passa, os resultados vão sendo cada vez melhores e maiores.

Se leu isto e lhe fez sentido ir atrás deste objetivo, então desejo-lhe a maior das forças e sucessos. No que puder ajudar, cá estarei, como sempre 🙂

Marque a sua sessão de mentoria financeira e alcance estes resultados! Carregue na imagem para aceder a mais informações!

DEIXA UM COMENTÁRIO

Por favor, envie o comentário!
Por favor, escreva o seu nome aqui

spot_imgspot_img

Últimas notícias

Receba o ebook "Os primeiros investimentos" GRATUITAMENTE

Basta carregar no botão abaixo

Artigos Relacionados

spot_imgspot_img