Estará a popularidade das SPACs a diminuir?

Voltamos às SPACs. No ano passado, não se falava praticamente de outra coisa e a verdade é que as SPACs tornaram-se “a força motriz dos mercados de capitais e de negociações”, à medida que o mercado de ações lentamente recuperava de uma crise pandémica. Mas estará a popularidade das SPACs a diminuir?

Foi também este mercado em crescimento que contribuiu para que vários investidores públicos como a BlackRock e a Fidelity, se juntassem à nova tendência. No entanto, ao que parece, a grande popularidade destas shell companies tem vindo a diminuir nos últimos tempos, pelo menos aos olhos dos reguladores. 

A Securities and Exchange Commission (SEC), equivalente à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários em Portugal (CMVM), está preocupada com o mercado destas, também chamadas de empresas de “cheques em branco”. Isso inclui projeções otimistas em torno de novas tecnologias e o envolvimento de celebridades como a Jennifer Lopez e o ex-jogador de baseball norte-americano Alex Rodriguez que arrecadaram “rios de dinheiro”, um capital de 142 mil milhões de dólares como forma de conseguirem empresas alvo para fusões. 

No ano de 2020 o normal era vermos cinco a seis notícias por dia sobre estas empresas. Mas em abril, foram registradas menos de uma dúzia de SPACs a completarem IPOs, tendo sido considerado o mês mais lento desde junho de 2020 de acordo com a Refinitiv. Também foi notável a diminuição das fusões através de SPACs visto que os investidores recuaram dos financiamentos privados “PIPE” (private investment in public equity).

“Não houve tanta atividade quanto você poderia imaginar em termos de investigações relacionadas com SPACs”, afirmou Luke Cadigan, ex-promotor da divisão de fiscalização da SEC. “Isso vai mudar drasticamente nas próximas semanas e meses”.

Várias declarações foram feitas por reguladores, questionando a atratividade que estas têm para retail investors que podem não ter bem a noção do modelo de negócios das empresas e como é que estas funcionam e  operam. Prevê-se que investigações sobre divulgações de conflito de interesses possam vir a suceder, de acordo com pessoas familiarizadas com a maneira de raciocínio e agir da SEC. Ao mesmo tempo, a SEC está a avaliar a forma como é que poderia autorizar as empresas que estão a passar por ofertas públicas iniciais tradicionais com mais facilidade.

Os sponsors comprometeram-se a melhorar esta desconfiança do mercado em relação às SPACs. No entanto, muitos questionam qual o incentivo que estes dispõem para erradicar este “mau comportamento”. Nos EUA, as SPACs exploram o que os críticos veem como “arbitragem regulatória” para “fornecer projeções financeiras que as empresas que lançam IPOs e listagens diretas normalmente evitariam”.

Autor: Margarida Fernandes 

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