Como estão os mercados financeiros?

Neste artigo iremos sumarizar as principais notícias desta semana que mais afetam os mercados financeiros.

As conversações entre os EUA e a China começaram com o pé esquerdo

O objetivo das conversações era – segundo o secretário de estado dos EUA, Antony Blinken- fazer um reset na relação dos dois países após grandes tensões nos assuntos de comércio, direitos humanos e cybersecurity durante a presidência de Donald Trump. No entanto, aparentemente não foi isso que aconteceu.

Blinken referenciou a preocupação global que existe sobre os direitos humanos em Beijing, ao qual Yang Jiechi -diplomata chinês de topo- respondeu que “Esperamos que os Estados Unidos farão melhor nos direitos humanos”. 

Infelizmente, esta troca amarga de acusações não acabou. A China também acusou os EUA de racismo institucional, tarifas de comércio e até de cyber-espionagem. Os EUA por sua vez acusou a China de minar as regras básicas de ordem mundial com as suas ações sobre Tailândia e Hong Kong, e do tratamento dos Uighurs muçulmanos na província Xinjiang. Esta foi uma das primeiras ações da administração Biden a acusar a China do genocídio de Xinjiang.

Qual é o impacto desta notícia? Embora não tenha sido a única razão, esta falta de cooperação impulsionou a já existente descida nos mercados financeiros da China. Isto materializa-se com o índice de ações tipo A a descerem 3%, bem como os índices CSI 300 e Chinext Price a perderem 2,8%. Como é possível perceber, as decisões políticas têm impacto real na economia e nos mercados financeiros.

O Banco do Japão protege-se contra estímulo, ao contrário da Rússia

O Japão tem sofrido de uma persistente, embora leve, deflação desde a última metade dos anos 90. Devido à pandemia COVID-19, este problema intensificou-se.

Há décadas que o Banco de Japão tem vindo a combater este evento através da compra de ativos, no entanto tem vindo a perder fé nesta estratégia. Já no ínicio de fevereiro o Banco tinha contratado um académico com ideias bastante diferentes, e que defende a impressão de dinheiro: Asahi Noguchi. E esta semana, a instituição sinalizou este sentimento ao cancelar a compra de 60 biliões em equities este ano. Justificou esta ação ao indicar que iria adotar outras políticas para assegurar que a profitabilidade do banco não é demasiado abalada pela sua outra política de taxas de juro negativas.

O Banco do Japão também permitiu às obrigações de longo prazo flutuar 25 pontos base (ou seja, 0,25%).

Esta mudança foi única esta semana em bancos centrais de economias avançadas. O Banco da Rússia, por exemplo, tornou-se o terceiro grande banco central emergente a criar uma grande surpresa (depois da Turquia e do Brasil) ao aumentar as suas taxas de juro chave 25 pontos base para 4,50%.

As ações devem variar

Nike é atingida por problemas na cadeia de oferta

As ações dos mercados financeiros dos EUA em princípio irão abrir com preços mais altos. No entanto só a fortemente cíclica Dow Jones é que deve acabar a semana numa nota positiva depois da grande descida de quinta feira.

Esta expectativa advém do facto de que pelas 6:30 ET (10:30 GMT), o contrato de futuros de Dow Jones tinha subido 24 pontos base ou 0,1%, enquanto que o do S&P 500 tinha aumentado 0,2%. 

Outra preocupação será Nike. Desde finais de fevereiro, as receitas da Nike no Norte da América desceram cerca de 10% devido a problemas na sua cadeia de oferta, estes problemas incluem escassez de contentores e congestão nos portos dos EUA. Devido a isto, as ações da Nike desceram 2,8%.

Casos de COVID-19 surgem na Europa enquanto a UE suspende a vacina AstraZeneca

A Europa enfrenta agora uma terceira vaga de COVID-19 e em resposta França colocou 8 regiões em confinamento. Alemanha, Hungria e Polónia continuam a ver o número de novos casos a aumentar. 

Desde os primeiros casos de coágulos de sangue em pessoas que tomaram a vacina AstraZeneca, muitos países da UE cancelaram os seus pedidos da vacina, o que só piora a situação vivida. Reguladores de fármacos na UE já demonstraram a sua desaprovação, dizendo que os benefícios da vacina ultrapassam os riscos.

Enquanto isso, os EUA irão continuar a exportar a vacina, e reiterar as vacinas que inicialmente eram para os países da UE para Canadá e México.

Petróleo recupera subida de quinta

Na quinta feira os preços do petróleo atingiram o mínimo da semana. Esta tinha sido a pior caída desde 22 de fevereiro (o preço desceu para 59,36$ por barril na quinta, e desde 22 de fevereiro o preço mais baixo tinha sido 59,51$ por barril). 

A descida deveu-se a pessimismo relativamente à procura do petróleo, uma vez que a situação pandémica parece não estar a melhorar em termos mundiais.

No dia 19 de março, pelas 6:30 ET (10:30 GMT), os futuros do crude de petróleo dos EUA tinha subido 1,6%, atingindo os 60,98$ por barril. Isto enquanto o crude Brent subiu 1,0% atingindo os 63,91$ por barril.

Autora: Ana Margarida Costa | Fonte: The Guardian

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