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Como é que as empresas podem obter financiamento?

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Independentemente de ser uma start-up ou uma empresa na fase de maturidade, todas as empresas necessitam de financiamento. Este continua a estar altamente associado a empréstimos bancários, mas, para este efeito, existem diversas modalidades às quais as empresas podem recorrer, com diversos níveis de complexidade e diferentes impactos nas estruturas de capital. Neste artigo, iremos apresentar as 10 principais formas de financiamento que as empresas utilizam (excluindo os empréstimos bancários). O artigo tem o objetivo de introduzir ao leitor uma visão geral, apresentando as definições e principais vantagens e desvantagens, não entrando em pormenores legais e contabilísticos.

Bootstrapping

Neste método, a empresa é criada e financia-se apenas recorrendo a capitais próprios e a resultados subsequentes. É um método vantajoso porque permite aos seus criadores um maior controlo sobre toda a empresa e não existe dívida. No entanto, a empresa fica altamente dependente da sua performance, com um risco operacional muito superior e, usualmente, não permite a realização de grandes montantes de investimento inicial. Esta forma de financiamento é mais comum em start-ups.

Factoring e Confirming

O Factoring é um mecanismo financeiro que conta com três intervenientes: clientes, fator (usualmente uma instituição financeira) e empresa. Numa situação inicial, o cliente compra bens ou serviços à empresa, comprometendo-se a pagar numa data futura. Contudo, se a empresa pretender receber logo o pagamento, pode recorrer a um contrato de factoring. O fator irá “comprar a fatura”, fornecendo um adiantamento à empresa e ficando com o direito a receber a dívida futura.

Quanto ao Confirming, o processo é semelhante, mas em sentido inverso. Assim, os três intervenientes são os fornecedores, o fator e a empresa. Neste caso, a situação inicial é a empresa comprar bens ou serviços a fornecedores, comprometendo-se a pagar numa data futura. Contudo, se a empresa pretender pagar logo na altura, pode recorrer a um contrato de confirming, com o fator a fornecer um adiantamento aos fornecedores e ficando com o direito a receber a dívida futura por parte da empresa.

Estes mecanismos visam maioritariamente pequenas e médias empresas. Ambos têm as vantagens de aumentar a liquidez da empresa e melhorar o seu Working Capital, mas é necessário ter em consideração a existência de custos associados, nomeadamente comissões às instituições financeiras intervenientes.

Friends, Fools and Family

Esta forma de financiamento consiste em procurar financiamento junto de pessoas próximas, que detenham uma afinidade com o investidor (como família ou amigos) e um gosto particular de tornar as suas ideias realidade. Este método destina-se sobretudo a start-ups e tem a vantagem de permitir uma contenção de custos, uma vez que estas pessoas terão tendência a não cobrar custos adicionais, mas tem de ser bem ponderada, uma vez que, em caso de incumprimento ou falha no negócio, pode existir um deteriorar da relação pessoal e, em princípio, não permite o angariar de montantes muito elevados. O caso mais mediático entre as empresas que recorreram a este tipo de financiamento é a Amazon ($AMZN), com Jeff Bezos a financiar-se junto da sua família para dar início ao seu negócio.

Business Angels

Um Business Angel é um investidor individual que fornece financiamento a start-ups, com o objetivo de obter rentabilidades extra, expandir o seu portefólio de investimento e, muitas vezes, atuam por razões de caráter pessoal, sendo usual estes investidores deterem um setor de negócio que gostam de apoiar (por exemplo, um médico que pretende ajudar pequenos empreendedores a desenvolver projetos na indústria médica). Para a empresa, as principais vantagens deste método é o permitir a entrada de elevados montantes e de obter um know-how especializado de alguém conhecedor da indústria, mas normalmente implica alguma perda de controlo sobre a empresa, visto que os Business Angels quererão supervisionar o projeto em que estão a investir. O programa televisivo Shark Tank é o exemplo mais clássico de Business Angels.

Venture Capital

Venture Capital é a ação financeira na qual um grupo de investidores criam um fundo ou sociedade para pesquisar, selecionar e capitalizar projetos emergentes e, usualmente, com grande risco. A maioria destes grupos de investidores pretende financiar a empresa apenas na sua fase inicial, realizando um investimento de curto prazo com o intuito de reaver o dinheiro investido e deixar a empresa em poucos anos. Para a empresa, tem os benefícios de obter elevados montantes e de ter apoio na gestão, mas tem as desvantagens de ter um processo de due diligence intenso (o fundo irá aplicar uma avaliação com escrutínio da empresa, uma vez que terá de garantir elevadas rendibilidades para compensar o grande risco no qual está a incorrer), de existir uma perda de parte do controlo da empresa, de ter pressão para obter resultados num curto espaço de tempo e de, ao contrário do Business Angel, onde se negocia diretamente com o investidor, negocia-se com um representante com obrigação fiduciária perante a sociedade de Venture Capital.

Leasing

É um acordo pelo qual o locador (financiador) transmite ao locatário (devedor), em troca de pagamento, o direito de usar um bem por um dado período de tempo, podendo, no fim, adquiri-lo por um valor residual. Este processo pode ser utilizado por empresas em qualquer fase do seu ciclo de vida. Tem as vantagens de ser pouco burocrático, de poder optar por ficar com o bem no fim do financiamento e de deter taxas de juro inferiores às de um empréstimo bancário. Contudo, em caso de incumprimento, este meio de financiamento tem pesadas penalizações. Apesar de poder ser utilizado para diversos setores, este método está fortemente desenvolvido na indústria automóvel.

Crowdfunding

Sendo uma tendência de financiamento atual, Crowdfunding é o processo de se financiar recorrendo a um conjunto de pequenas doações de um grande número de indivíduos, recorrendo a websites como o GoFundMe. Apesar de se poder iniciar um processo de crowdfunding para diversos efeitos, este está fortemente associado a causas sociais. Tem as vantagens de permitir às empresas obter fundos sem recorrer a dívida e de estudar a sua futura base de consumidores, já que alguém que doe dinheiro a uma empresa estará mais suscetível a consumir os seus produtos. No entanto, pode motivar perda de reputação se os fundos não forem usados para o anunciado e alguns websites só permitem receber o montante se o objetivo mínimo de doação for alcançado.

Initial Public Offering (IPO)

Uma IPO é uma das formas de financiamento mais conhecidas e mediáticas. Esta consiste no processo em que as ações de uma empresa são vendidas pela primeira vez ao público em geral num mercado financeiro, passando a ser uma empresa de capital aberto e a ter as suas ações disponíveis para transação na bolsa de valores, pelo que é aconselhável que a empresa já detenha um nível de maturidade relevante. Para as empresas que a fazem, tem as vantagens de aumentar o capital, melhorar a liquidez, deter um maior reconhecimento do público em geral e melhorar o seu rácio Debt/Equity, uma vez que a empresa aumenta o seu capital sem recorrer a dívida. Contudo, este processo tem grandes custos, e pode levar a problemas de agência e perda de controlo devido à dispersão do capital, sendo que a empresa deve ter atenção na definição do seu free float.

Obrigações

As Bonds (ou Obrigações, em português) são títulos de dívida negociável, através do qual o emitente (empresas ou Estado) se compromete a pagar um rendimento (juro) periódico e a reembolsar a totalidade do capital (que pode ser acrescido de um prémio de reembolso), normalmente na maturidade. Tem a vantagem de permitir angariar elevadas quantias de capital diretamente nos mercados financeiros e de poder definir as condições de pagamento. Mas, à semelhança de uma IPO, tem custos muito altos, pelo que se recomenda que a empresa tenha uma dimensão considerável, e, se for utilizada uma taxa de juro variável (usualmente indexada à Euribor), está sujeita ao risco de esta subir.

Initial Coin Offer (ICO)

Uma ICO é uma forma de financiamento relativamente recente, não sendo ainda regulamentada na maioria dos países. Na prática, é o equivalente a uma IPO para criptomoedas, através do qual um novo projeto ou empresa (normalmente start-ups) pretendem angariar fundos. Os investidores irão receber um novo cryptocurrency token emitido pela empresa, que poderá ser útil na aquisição do produto ou serviço que a empresa oferecer e representar uma parte da mesma. Se o processo for bem-sucedido, o token pode valorizar e representar um grande retorno para o investidor, mas, devido à especulação e incerteza também pode resultar em perdas. Tem as vantagens de ser acessível a todos e de ser rápido, flexível e pouco burocrático. Quanto a desvantagens, para além da já referida volatilidade e incerteza nos preços, há um potencial de fraude derivado da desregulamentação existente.

Deste modo, é possível concluir que as empresas podem optar por um leque diversificado de meios para se financiarem. Não é possível indicar que exista um que seja o melhor, sendo que tudo depende dos recursos iniciais da empresa, do seu nível de maturidade, dos objetivos dos empreendedores e das características da indústria onde atua, sendo usual recorrer a diferentes métodos durante o ciclo de vida da empresa. 

Autor: João Rodrigues

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