Comboios a Hidrogénio começam a ganhar popularidade

Recentemente, os comboios a Hidrogénio começam cada vez a ganhar mais popularidade.

Inicialmente as infraestruturas do transporte ferroviário foram concebidas para que as locomotivas utilizassem combustíveis fósseis, como o gasóleo. Com os impactos nefastos que este traz ao ambiente, começou-se a utilizar o gás, mas nos últimos dois anos as pessoas responsáveis por este tipo de transporte começaram a encarar o hidrogénio verde com bons olhos. Se a ferrovia adotar este tipo de combustível poderá vir a registar-se uma redução dos custos unitários do mesmo, ajudando posteriormente a viabilidade da sua utilização noutros setores de atividade.

O transporte ferroviário pode ajudar a tirar as primeiras ilações sobre a possível implementação do hidrógio verde noutros meios de transporte, caso os testes piloto do mesmo corram bem. 

No ano passado, os investidores que tencionam investir neste tipo de tecnologia verde ficaram muito entusiasmados, mas nos últimos meses todo esse entusiasmo abateu-se. Isto porque, para muitas indústrias, a produção de hidrogénio verde necessita de cerca de uma década de expansão e do aumento dos preços do carbono para se tornar competitivo.

No entanto, no caso do transporte ferroviário a situação é diferente. A construtora Alstom, em França, já construiu comboios movidos a hidrogénio em que transportou passageiros ao longo de 177.027,8 km em rotas ainda experimentais. De acordo com o relatório da empresa, de consultoria Roland Bergere, o custo total da propriedade ao longo da sua vida útil é comparável aos dos comboios a diesel ou às linhas eletrificadas.

O hidrogénio acaba por ser mais um substituto do gasóleo que ainda é utilizado em metade dos comboios na Europa ou nos EUA. O gás é muito útil em rotas em que não tenham procura suficiente para eletrificar os caminhos-de-ferro. Outro facto relevante, proferido pela Alstom, é que os comboios a diesel podem ser adaptados para hidrogénio, não sendo precisa a fabricação de novos comboios.

O grande problema da implementação de uma tecnologia de hidrogénio é que os fornecedores hesitam em construir grandes instalações de produção de hidrogénio, de modo a reduzirem os custos, por causa da procura incerta que existe. Ao mesmo tempo, os clientes esperam por preços mais baixos para poderem mudar para consumos energéticos mais “verdes”. 

Pode ser que a ferrovia seja a solução para este mercado, visto que não só oferece uma fonte de procura previsível a longo prazo, como também desbloqueia os incentivos governamentais, que podem ajudar bastante neste desenvolvimento.

Autor: João Melo