BCE sobe as taxas de juro: impacto no euro e nas famílias

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A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, anunciou no último conselho do BCE que a instituição irá aumentar as três taxas de juro diretoras em 50 pontos base (0.5 pontos percentuais), colocando um fim ao período de taxas de juro negativas na Zona Euro.

A subida de juros anunciada por Christine Lagarde será de 50 pontos base e não os expectáveis 25, sendo ainda expectável que em setembro possa voltar a acontecer com o intuito de encaminhar a inflação para um patamar próximo dos 2% (o objetivo de médio prazo do BCE).

Com um aumento nas taxas de juros dos Bancos Centrais são esperados duas consequências: um decréscimo na procura por bens e serviços ao nível da Zona Euro; e, ainda, um aumento nos depósitos monetários em instituições financeiras por parte das famílias, que têm assim um maior incentivo para colocar o seu dinheiro no banco.

As empresas, principalmente as Micro, Pequenas e Médias empresas terão agora mais dificuldade em obter financiamentos em condições favoráveis, com taxas de juro mais elevadas, será necessário um maior cuidado na contratação de crédito. É, por isso, esperada uma diminuição no investimento privado em Portugal.

A nível global é, ainda, importante referir que países que tenham uma dívida pública em proporção ao PIB maior, como são os casos de Portugal e da Espanha, irão sofrer impactos mais expressivos com esta subida, pois a partir de agora será mais complicado ir aos mercados de tesouro e obter financiamento a juros tão perto de 0 como tinha acontecido até aqui. 

Gráfico 1: Valor das taxas de Juro na Zona Euro entre 2000 e 2022
Fonte: TradingEconomics, Execução própria

Esta é a maior subida nas taxas de juro do BCE desde 2011, altura em que se encontravam num patamar de 1,5%. Desde então o BCE diminuiu este indicador até atingir um valor de 0% em 2016.

O impacto no euro desta subida dos juros

O euro começou a recuperar da paridade com o dólar, tendo esta semana sido marcada por uma valorização significativa, muito derivado às expectativas de que o BCE suba as taxas de juro para fazer face à escalada da inflação, que se tem feito notar na Zona Euro.

Depois de ter caído para um patamar inferior ao do dólar, ou seja, um euro valia menos do que um unidade da moeda americana (mais concretamente no dia 14 de julho um euro valia 0,997 dólares, o valor mais baixo desde novembro de 2002), nesta semana a moeda única começou a recuperar fechando com um euro a valer 1,021 dólares. 

Com as expectativas e o anúncio desta subida dos juros por parte do BCE, o euro voltou a entrar em zona de valorização em relação ao dólar, valorizando-se em mais de 3% durante a semana.

Gráfico 2: Cotação do euro em relação ao dólar ($EURUSD), entre 13 e 24 de julho de 2022
Fonte: Tradingview, Execução própria

Como se observa no Gráfico 2, depois de perfurar o patamar da paridade com o dólar, o euro começou um período de recuperação que se manteve durante a semana. Com isso voltou a recuperar para níveis semelhantes àqueles que foram registados no início da primeira semana de julho. No gráfico está realçada também a reação da moeda única ao anúncio da subida dos juros, onde se verifica uma subida impactante que voltou a colocar o euro num valor superior a 1,02 dólares. 

O impacto da subida dos juros nas famílias

Tal como foi referido anteriormente, com a subida dos juros, as famílias terão um maior incentivo em colocar as suas reservas de dinheiro em instituições financeiras. Sendo Portugal um país caracterizado por baixos rendimentos e onde é complicado conseguir alguma poupança, este benefício não será muito significativo para uma parte considerável da população.

Todavia, as famílias serão impactadas negativamente pela subida nos juros. Assim, o poder de compra será ainda mais afetado, diminuindo o consumo das famílias, através da subida de preços provocada pela inflação. 

Mas também várias famílias portuguesas sentirão aumentos nas suas mensalidades do crédito à habitação e dificuldades na obtenção de novos créditos. Estas taxas estão diretamente ligadas a variações nas taxas Euribor (que são utilizadas para a obtenção de créditos à habitação), por isso, é expectável que nos próximos dias as Euribor voltem a alcançar valores elevados, depois de alcançarem valores negativos durante bastante tempo.

Autor: Mário Costa

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