Aumento das taxas de juro: 4 implicações

Os aumentos das taxas de juros são uma ferramenta comum utilizada pelos bancos centrais para controlar a inflação e estabilizar a economia. Aqui estão quatro implicações dos aumentos das taxas de juros que os investidores devem ter em conta:

1. Impacto nas ações

Os aumentos das taxas de juros podem ter um impacto significativo no mercado de ações. Quando as taxas de juros sobem, as empresas que pediram empréstimos terão um aumento nos custos desses mesmos créditos – levando a menores lucros. 

No entanto, algumas empresas que beneficiam de taxas de juros crescentes incluem instituições financeiras, como bancos, que podem ganhar mais com empréstimos de dinheiro.  

Para além do custo dos empréstimos, parecem existir outros pontos em consideração:

“Se as taxas de juros aumentarem, os investidores em ações ficam mais relutantes em investir nos mercado porque o valor dos lucros futuros parece menos atraente”, afirma Rob Haworth, diretor de estratégia de investimentos no U.S. Bank Wealth Management. (24 de fevereiro)

Mas como é que o “valor dos lucros futuros parece menos atraente”? Vejamos o impacto número 2.

2. Impacto no Net Present Value (NPV)

As taxas de juros mais elevadas variam de forma contrário ao net present value. Assim, quando as taxas de juro sobem, o NPV desce. Mas o que é o NPV ou o VAL (valor atual líquido)?

Este é um conceito financeiro que basicamente nos resume num único valor os futuros pagamentos e recebimentos descontados para o dia de hoje. Este conceito torna-se especialmente importante, visto que receber 1€ hoje não é o mesmo que receber 1€ amanhã. O timing dos cash flows é um fator essencial – eu prefiro ganhar o euro hoje para poder investi-lo e amanhã ter mais. Posso querer esse euro para comprar uma fração da minha criptomoeda favorita, por exemplo.

Resumindo: Se descontarmos para o dia de hoje o que a empresa espera render no futuro, deparar-nos-emos com um valor menor. Se é esperado, no dia de hoje, que a empresa faça menos dinheiro, a avaliação ou preço desse título é menor.

3. Impacto nas obrigações

As obrigações são títulos de dívida que pagam juros aos investidores em troca do empréstimo de dinheiro. Quando as taxas de juros sobem, o preço das obrigações diminui, uma vez que os investidores exigem um maior rendimento para compensar o aumento do risco de emprestar dinheiro. Isto significa que os investidores que possuem obrigações podem ver uma diminuição no valor dos seus investimentos. 

Quando as taxas de juros aumentam, os preços das obrigações existentes tendem a cair – mesmo que o cupão (percentagem paga pela empresa como recompensa pelo dinheiro emprestado) permaneça constante.

E porque é que este fenómeno fará sentido? Quando as taxas de juros sobem, os investidores exigem um maior rendimento para compensar o aumento do risco de emprestar dinheiro. Para além deste fator, o rendimento da obrigação desceu em comparação com as taxas de juro praticadas por bancos (ou certificados de aforro). Ou seja, porque é que hei de arriscar investir numa empresa quando posso depositar dinheiro no banco e obter um retorno similar? O custo de oportunidade desempenha aqui um papel fundamental.

Após um período pandémico com taxas de juro perto de zero vemos, de repente, a Euribor a atingir máximos históricos. Com este aumento fugaz das taxas de juro, quem detinha obrigações sofreu grandes perdas pelas razões descritas anteriormente.

4. Impacto na economia

Os aumentos das taxas de juros podem ter um impacto significativo na economia em geral. Taxas de juros mais elevadas podem levar a uma diminuição nos gastos dos consumidores, uma vez que o custo de empréstimo de dinheiro aumenta – o que pode levar a um abrandamento do crescimento económico.

No entanto, taxas de juros mais elevadas também podem ajudar a combater a inflação. Quando as taxas de juros sobem, torna-se mais caro pedir dinheiro emprestado, o que pode levar a uma diminuição na procura e, por sua vez, uma diminuição nos preços. 

Assim, podemos ajudar a manter a inflação sob controlo. Vamos revisitar a história:

Nos finais da década de 1970 e início da década de 1980, os Estados Unidos sofreram uma inflação elevada, com preços de gasolina a subir, taxas de hipoteca elevadas, um mercado de trabalho fraco e uma taxa de desemprego acima de 7%. Paul Volcker, o presidente da Reserva Federal Americana, conduziu duas recessões para cortar gastos e controlar a inflação. No final da década de 1980, a inflação estava sob controlo e a economia estava a prosperar. As subidas de taxas de juros de Volcker foram vistas como bem-sucedidas na resolução da crise.

Em conclusão, os aumentos das taxas de juros têm implicações significativas em vários setores, incluindo o mercado de ações, o NPV, as obrigações e a economia em geral. Os investidores devem estar cientes destas implicações ao tomar decisões de investimento. Enquanto os aumentos das taxas de juros podem levar a alguns desafios, eles também podem ajudar a combater a inflação e manter a estabilidade económica a longo prazo. 

É importante acompanhar de perto as mudanças nas taxas de juros e os seus efeitos para tomar decisões informadas e bem-sucedidas.



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