Aumento da inflação pode prejudicar as obrigações chinesas

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A recuperação das obrigações chinesas a nível mundial tem sido notória. Tal deveu-se a apostas de flexibilização do governo e Banco da China.

No índice de referência Bloomberg Barclays Global Treasuries, estas obrigações foram as únicas que apresentaram ganhos no último ano, por serem também as únicas a dar sinais de que as autoridades podem estar dispostas a diminuir a política monetária para tentar contrariar a desaceleração da economia. No entanto, a análise da inflação desta segunda-feira pode atrapalhar os possíveis planos de flexibilização do Banco Popular da China, podendo levar a um possível enfraquecimento no crescimento destas obrigações.

Os preços ao produtor, demonstraram uma maior ligação com as obrigações do governo chinês do que os preços ao consumidor, uma vez que estes já estão em alta depois de atingirem os 9% em maio e terem apenas diminuído marginalmente em junho, de acordo com o National Bureau of Statistics. Numa pesquisa da Bloomberg, é de esperar que o indicador caia ainda mais, para 8,6% em julho.

Relativamente ao rendimento referencial de 10 anos da China, este tem diminuído ao longo de oito semanas consecutivas.

No mês anterior, a recuperação das obrigações resultou de uma diminuição inesperada na exigência do índice de reserva dos bancos, contudo, isto estendeu-se depois de algumas repressões regulatórias estimularem o investimento em formas de investimento de risco inferior, como é o caso das obrigações do tesouro. Além disso, os líderes do país prometeram numa reunião manter a liquidez de forma ampla, solidificando as expectativas de flexibilização.

Um ressurgimento de casos de Covid-19 e sinais de atividades mais fracas no setor da manufatura tornaram os traders mais flexíveis, nomeadamente ao nível das taxas de juro.

Todos esses fatores, juntamente com os novos casos de coronavírus na China, levaram os analistas do JPMorgan Chase & Co., HSBC Holdings Plc e BofA Securities a recomendar obrigações do governo chinês. 

Se o banco central retirasse dinheiro do sistema bancário, seria sinal de preocupação devido à inflação, mas uma redução da taxa de juros sobre os empréstimos seria vista como um movimento dovish.

O aumento da inflação está a preocupar a pressão sobre os preços na segunda maior economia do mundo, uma vez que esta pode não ser transitória. Este aumento pode também dificultar as  medidas de flexibilização do Banco Popular da China e desacelerar a recuperação das obrigações, alimentada pelas expectativas de suporte de liquidez dos formuladores de políticas para impulsionar a desaceleração da economia.

“O risco de propagação da variante delta na China não pode ser subestimado”, afirmou Winson Phoon, chefe de pesquisa de renda fixa do Maybank Kim Eng Securities Pte em Singapura. 

Autora: Inês Pereira

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