A Volatilidade das Commodities veio para ficar

As grandes oscilações das commodities, desde o trigo até ao crude, estão aqui para ficar com as cadeias de abastecimento mundiais a serem constantemente avaliadas na sequência da invasão russa à Ucrânia.

Uma commodity é um bem básico utilizado no comércio que é permutável com outros bens do mesmo tipo, frequentemente utilizada como input na produção de outros bens ou serviços. A qualidade de uma certa commodity difere ligeiramente, sendo essencialmente uniforme nos produtores da mesma. Quando comercializada na bolsa tem de satisfazer normas mínimas específicas, caso contrário não é possível realizar trocas comercia犀利士 is.

Alguns exemplos de commodities incluem barris de petróleo, trigo e Megawatt-hora (MWh) de eletricidade.

Apesar das commodities serem uma parte importante do comércio, nas últimas décadas o seu comércio tem se tornado mais visível e consequentemente mais normalizado.

De acordo com Gregory Broussard, diretor global de transações financeiras da unidade de gestão de risco da gigante agrícola Cargill Inc, a volatilidade das commodities veio para ficar, uma vez que é provável (e previsível) que a exclusão econômica da Rússia continue mesmo depois do fim da guerra. Isto faz com que seja necessário repensar a forma como bens críticos como cereais, fertilizante e combustível são obtidos e produzidos. Consequentemente, os países recorrerão ao açambarcamento destes bens como prevenção.

“Vamos sair desta guerra do lado do abastecimento mais apertado do que entrámos nela”, disse Broussard à Bloomberg. “Quando as pessoas começam a atirar sanções, não se dissipam apenas da noite para o dia. Tem implicações no encaminhamento de matérias-primas”.

O impulso global para emissões líquidas zero até meados do século, bem como a necessidade de estar cada vez menos dependente de regimes instáveis que produzem bens essenciais são fatores que, juntamente com a situação instável da guerra, explicam a volatilidade sentida nas commodities.

Desistir das exportações russas não vai ser fácil. A Rússia é o maior fornecedor de gás natural da União Europeia, sendo responsável por mais de 40% das importações. É também um dos maiores exportadores mundiais de fertilizantes, que é produzido com hidrogênio e amoníaco, visto também como potenciais ingredientes para futuros combustíveis “limpos” para a indústria dos transportes. 

À medida que mais empresas petrolíferas procuram produzir diesel ecológico a partir de ingredientes como a soja e a canola, os governos e as empresas estão à procura de novas fontes de biocombustíveis para além das culturas alimentares.

Como se desenrola a transição energética é o palpite de qualquer um, mas a curto prazo, uma coisa é clara, segundo Broussard: “Será altamente disruptivo”.

Autora: Ana Rita Manjua Rijo

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