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A crise energética europeia

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Tal como o resto do mundo, a Europa tem sido afetada por uma crescente crise energética. 

Os preços do gás natural têm vindo a subir à medida que os países saem do confinamento da COVID-19, alimentando uma crise que provavelmente terá impacto nas contas dos consumidores neste inverno. 

Atualmente, segundo a Intercontinental Exchange, Inc. (ICE),  o preço do contrato de futuros de energia, para entrega em novembro, situa-se nos 87,06 euros, muito acima dos 16 euros registados no período homólogo. No dia 5 de outubro, este valor chegou a estar situado nos 116 euros.

Analisemos, então, as razões por detrás desta crise.  

O gás natural mostra-se ser a segunda fonte de energia mais usada na União Europeia vendo, por isso, a sua procura a aumentar substancialmente no mundo pós-pandemia, não só para sustentar o crescimento económico, mas também para a necessidade de aquecer habitações no inverno que se aproxima. 

Com um aumento da procura é, portanto, necessário que exista um acompanhamento na mesma medida da oferta, caso contrário, os preços tendem a subir. Contudo, este aumento da oferta ficou aquém do necessário e os preços, inevitavelmente, subiram. 

Como razões para a falta de oferta de gás no mercado, é apontada a vontade da União Europeia de se distanciar da produção de recursos fósseis. Por exemplo, o maior produtor de gás da Europa, os países baixos, começou a reduzir a produção dos seus campos de gás em Groningen em 2018. 

Em contrapartida, a Noruega tem vindo a aumentar a produção face às dificuldades de abastecimento. Ursula von der Leyen, chefe da Comissão Europeia, afirmou que “Estamos muito gratos pela intensificação da Noruega, mas este não parece ser o caso da Rússia”.   

Dado isto, a necessidade de importação aumenta. No ano de 2019, segundo a Eurostat, cerca de 90% do gás natural era importado, sendo desses 90%, 45,5% oriundos da Rússia. Contudo, a Rússia, ao longo de 2020, é suspeita de ter reduzido o seu fornecimento de gás à União Europeia de forma a forçar politicamente que o seu Nord Stream 2 pipeline seja aprovado.  

A par disto, é também necessário considerar as reservas de gás na União para este inverno. O inverno passado foi mais frio que o normal e, devido aos confinamentos, a população viu-se obrigada a permanecer mais tempo em casa do que o normal durante esta época. Por consequência, a utilização de gás aumentou, reduzindo assim as reservas europeias. 

Segundo o Gas Infrastructure Europe, atualmente, o armazenamento europeu encontra-se a 75% do total, enquanto que no período homólogo se encontrava nos 90%. 

Com o inverno a chegar, é de esperar um agravamento do abastecimento e uma possível  subida de preços. Uma vez que o mundo funciona com combustível e eletricidade, a crise energética ameaça tocar todos os cantos da economia global, comprimindo as cadeias de abastecimento e até mesmo aumentando os preços dos alimentos, o que significa um salto na inflação.

No pior dos casos, com esta crise energética, a Europa poderá sofrer apagões e consequentes reduções de produtividade se os seus setores industriais se depararem com falta de energia recorrentes.

Uma crise que, até agora, tem sido, maioritariamente, relacionada com o mundo industrial, poderá brevemente afetar o mundo político, caso o aumento das contas da luz e a inflação levem a protestos e agitação pública. 

Autor: Francisco Sá

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