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5 razões para não comprar ações da Nubank – ou de qualquer outra OPA – agora

⏱️ Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Quando uma empresa, tal como a Nubank ($NU), decide ser publicamente transacionada, geram-se várias notícias acerca do assunto. Isto acontece pois quando uma empresa decide realizar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA), significa que está num bom estado de crescimento e expansão, pelo que, na perspetiva de alguns investidores, pode parecer uma ótima oportunidade para entrar cedo e aproveitar ao máximo os futuros retornos. No entanto, a atenção dada pelos media pode ser, ou não, boa para os investidores.

Assim, vamos desmistificar algumas ideias.

1. Se há um interesse geral na OPA eu devo investir.

Demasiado interesse pode levar a que a relação risco-retorno não seja a adequada. Quando há muita procura por um dado ativo, o seu preço aumenta, podendo ficar sobrevalorizado e, consequentemente, a possibilidade de retornos é menor. Mais ainda, não existem dados disponíveis para fazer uma análise técnica da empresa e a entrada desta pode alterar o setor, pelo que também não é adequado recorrer a este. Por último, é necessário avaliar se o alarido à volta da OPA advém de o setor estar na moda ou se é algo sustentável a longo prazo.

Em conjunto com o interesse mediático, a aquisição de ações por autoridades financeiras, tais como a Berkshire Hathaway (BRK.A), eleva o preço destes ativos. O fundo de investimento de Warren Buffet investiu $500 milhões de dólares na Nubank, aumentando, assim, a confiança dos restantes investidores e inflacionando os preços. Também as venture capital Sequoia Capital, a DST Global e a Tencent (TCEHY) detêm participações da Nubank.

Demasiado interesse pode sobrevalorizar o preço dos ativos!

2. Investir em OPAs irá proporcionar rendimentos mais elevados

Normalmente, empresas com presença recente na bolsa são de elevado risco e voláteis, devido à falta de informação. Mais ainda, nem todas as OPAs evidenciam ter sucesso a longo prazo. Pelo contrário, há empresas que apenas sobreviveram por terem sido alvo de várias OPAs falhadas. Para além disso, o crescimento esperado a seguir a uma OPA costuma ser agradável aos olhos dos investidores. Por essa razão, estes estão dispostos a pagar mais pelos retornos futuros e pagam um preço superior ao preço intrínseco. Além disso, quanto maior for a sobrevalorização da empresa, menores são as possibilidades de ganhos. No entanto, em períodos de crescimento económico lento, o crescimento das empresas, como consequência, também desacelera. Por conseguinte, a valorização da empresa desce e os investidores perdem. 

Por exemplo, a Lyft ($LYFT) e a Uber ($UBER), após um ano da respetiva OPA, transacionavam abaixo do preço de oferta inicial.

OPA não é sinónimo de sucesso!

3. Se a empresa está sob uma OPA é porque é financeiramente estável.

Apesar da empresa ser alvo de auditorias financeiras, não é possível prever o seu futuro. O crescimento de uma empresa depende de inúmeros fatores, incluindo externos (crescimento económico, concorrência, etc.). Só algum tempo depois de estar a ser transacionada no mercado é que é possível realizar análises técnicas fundamentadas em informações verdadeiras.

A Nubank, atualmente, não é uma empresa lucrativa e já incorreu em algumas perdas. Apesar disso, na primeira semana de estreia na bolsa sofreu uma valorização de 15%.

OPA não garante estabilidade financeira!

4. Apenas investidores individuais recebem ações da OPA.

Por norma, as instituições financeiras e os fundos de investimento costumam ser os primeiros a comprar ações da empresa, pois estes têm uma maior capacidade de compra. Devido a isto, quando a empresa chega ao público, pode não haver ações no mercado primário. Neste caso, os investidores individuais só as poderão obter no mercado secundário ao preço estabelecido pelas entidades detentoras.

Investidores correm o risco de apenas comprar no mercado secundário a preços inflacionados!

5. Ao investir numa OPA consigo comprar ao preço de oferta inicial.

Antes de as ações de uma empresa chegarem a público, estas já passaram por uma ronda de investimentos aberta apenas a instituições financeiras que cumprem certos requisitos. Assim, investidores individuais não têm acesso à compra ao preço de oferta inicial, a não ser que esse seja o corrente no mercado secundário. Mais ainda, se for possível comprar grandes quantidades ao preço de oferta é um sinal vermelho, pois foi rejeitado por grandes instituições financeiras. Por norma, quando alguma entidade credível adquire certas ações, estas tendem a valorizar pelo aumento da procura pelos restantes investidores. O mesmo se passa nesta fase inicial.

Investidores individuais podem não ter realmente acesso à compra de OPAs.

Importa realçar que é possível usufruir de uma OPA comprando ações individuais da empresa quando esta vem a público, mas também através da aquisição de fundos mútuos. Estes produtos financeiros são alvo de uma gestão ativa que compram em OPAs.

Concluindo, a compra de OPAs não é a melhor estratégia para obter grandes rendimentos e a longo prazo. Contudo, como método de diversificação, pode ser algo a pensar.

Autora: Mariana Pisco

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